Instituto Confucius apresenta nova diretora chinesa
6 de abril de 2026 as 06:30
Da província de Hebei para o Rio de Janeiro, Yang Xia descreve o novo cargo como missão (Foto: Patrick Mattos / Comunicar)
Yang Xia destaca ensino da língua, cooperação científica e aproximação entre Brasil e China como prioridades para o Instituto na Universidade
Presente na PUC-Rio com cursos de língua chinesa e diversas atividades culturais, o Instituto Confucius tem ampliado as oportunidades de intercâmbio acadêmico e cultural entre Brasil e China. À frente da direção chinesa da Instituição, Yang Xia destaca que a Universidade oferece um ambiente aberto e humanista, ideal para fortalecer a cooperação internacional. Em entrevista ao PUC Urgente, ela fala sobre os desafios de assumir o cargo no Brasil, os planos para ampliar parcerias acadêmicas e o papel do Instituto na formação de estudantes interessados na cultura e nas relações entre os dois países.
O Instituto Confucius tem presença ativa na Universidade, promovendo cursos e atividades culturais. Como a senhora avalia a importância do Instituto dentro da PUC-Rio?
Yang Xia: Como uma instituição de ensino superior de grande influência no Brasil e na América Latina, a PUC-Rio sustenta um profundo legado humanístico e um ambiente acadêmico aberto e inclusivo, que proporcionou um terreno fértil para o Instituto Confucius se estabelecer e prosperar.
O IC oferece cursos sistemáticos de Língua Chinesa para alunos, professores e membros da comunidade PUC-Rio, desde aulas para iniciantes até programas de chinês para negócios e preparação para o programa de proficiência HSK. Além disso, por meio de eventos, como a competição Chinese Bridge e o Dia Internacional da Língua Chinesa, o IC proporciona aos jovens estudantes da PUC-Rio valiosas oportunidades de compreender melhor a China.
Recentemente, em meu encontro com o Reitor Padre Anderson, apresentei meus planos para as atividades deste ano nos eventos “Dia Internacional da Língua Chinesa” e “Chinese Bridge”, e chegamos ao consenso em promover ainda mais o ensino da língua chinesa, aumentando as trocas culturais entre China e Brasil.
O IC também construiu uma sólida plataforma para intercâmbios acadêmicos. Em nosso encontro, Padre Anderson enfatizou a necessidade e urgência de fortalecer a cooperação acadêmica, especialmente uma colaboração mais ampla no campo das Engenharias. Ele observou que as interações acadêmicas de alto nível podem promover efetivamente vantagens complementares e resultados vantajosos para ambos os lados em inovação científica e tecnológica e na formação de talentos. Concordo plenamente. Os intercâmbios acadêmicos em múltiplas camadas não apenas enriquecem o ecossistema acadêmico da PUC-Rio, mas também abrem uma janela para que os acadêmicos chineses aprendam sobre a experiência de desenvolvimento do Brasil.
Em resumo, a presença do Instituto Confucius na PUC-Rio enriquece grandemente a projeção internacional da Universidade.
A senhora vem da província de Hebei para assumir a direção chinesa do Instituto Confucius. Quais são suas principais expectativas e objetivos na nova função?
Yang Xia: Sair da minha querida cidade natal em Hebei para o Rio de Janeiro, na distante América Latina; este compromisso transoceânico representa tanto uma grande responsabilidade quanto um novo começo repleto de desafios e oportunidades.
Como a nova diretora chinesa do IC PUC-Rio, minhas principais expectativas e objetivos podem ser resumidos em duas palavras-chave: integração e visão de longo prazo, com o compromisso de promover o Instituto para que alcance um desenvolvimento de maior qualidade e em ritmo acelerado nesta nova fase de crescimento.
Buscarei lançar, em conjunto, projetos de cooperação em pesquisa, serviços à sociedade e outras iniciativas, de modo a viabilizar o compartilhamento de recursos e a complementaridade de competências, tornando o IC uma das marcas centrais da educação internacional da PUC-Rio.
A longo prazo, espero que, por meio do trabalho do Confucius, possamos estabelecer uma base sólida para o desenvolvimento contínuo das relações de amizade entre China e Brasil.
Durante o meu mandato, tenho como objetivos formar um grupo de jovens talentos que dominem a língua chinesa, compreendam a cultura chinesa e se interessem pela cooperação entre China e Brasil; e estabelecer um mecanismo sustentável de operação e cooperação para o Instituto Confucius, tornando-o uma referência nos intercâmbios culturais e interpessoais entre China e Brasil.
Este novo cargo não é apenas um trabalho para mim, mas uma missão. Trabalharei lado a lado com todos os colegas do IC e com o corpo docente e discente da PUC-Rio para que o Instituto floresça de forma ainda mais brilhante no Brasil.
Como está sendo a experiência de assumir uma posição de liderança em um novo país, convivendo com uma cultura e uma comunidade acadêmica diferentes?
Yang Xia: Tem sido uma jornada desafiadora de adaptação. O idioma foi o primeiro obstáculo. Embora eu tenha alguma base em inglês, a língua do Brasil é o português. Precisei começar do zero para a comunicação diária e a coordenação do trabalho.
Ao mesmo tempo, tem sido uma jornada surpreendente de aprendizado e um processo enriquecedor de crescimento. Como gestora atuando em um novo ambiente, precisei me adaptar rapidamente a diferentes regras de trabalho e formas de comunicação, coordenar recursos e promover atividades em meio a diferenças culturais. Isso fortaleceu significativamente minhas habilidades de comunicação intercultural.
Tenho aprendido a ouvir diferentes vozes, a construir consensos em um contexto multicultural e a maximizar a cooperação com base no respeito às diferenças. Em suma, essa experiência de trabalho intercultural é uma tentativa corajosa de “sair da minha zona de conforto”.
A China tornou-se um importante parceiro do Brasil em áreas como economia e geopolítica. No campo acadêmico, que iniciativas podem fortalecer ainda mais a cooperação entre os dois países?
Yang Xia: Como o maior país em desenvolvimento do mundo e o maior país da América Latina, respectivamente, China e Brasil possuem enorme potencial e amplas perspectivas para a cooperação acadêmica. A atual intensificação da cooperação entre os dois países nas áreas econômica, geopolítica e em outros campos já estabeleceu uma base sólida para a colaboração acadêmica.
O talento é a base da cooperação acadêmica, e os jovens são a esperança para a cooperação futura. Devemos inovar os modelos de formação de talentos para garantir um fluxo contínuo de novas gerações para a cooperação acadêmica entre China e Brasil.
Durante nossas conversas, o Reitor também enfatizou a ideia de lançar programas de cursos de curta duração. Estou me preparando para criar mais oportunidades de intercâmbio para jovens estudantes. Por exemplo, um programa de “winter camp”, a ser concebido para oferecer aos alunos mais oportunidades de visita e intercâmbio na China.
A área de Medicina se tornará um campo-chave de cooperação entre as duas universidades. Também pretendo ampliar o espaço para a educação médica, a cooperação em pesquisa científica e o intercâmbio entre professores e alunos, aumentar a escala dos intercâmbios estudantis e oferecer uma plataforma de desenvolvimento para jovens pesquisadores.
A vitalidade da cooperação acadêmica está em servir à sociedade e promover o desenvolvimento. Durante meu encontro com o Padre Anderson, ele destacou o papel importante da PUC-Rio como uma instituição de ensino superior voltada para a comunidade. Ressaltou que a Universidade sempre manteve o compromisso de servir à sociedade e de promover o desenvolvimento das comunidades locais e o progresso social por meio da educação.
Nossa cooperação buscará organizar mais intercâmbios em múltiplos níveis e promover o compartilhamento de recursos, de modo que a cooperação acadêmica realmente se consolide e contribua para as comunidades locais.
De uma ponte para o aprendizado mútuo entre civilizações a um elo de cooperação acadêmica, de uma plataforma de intercâmbio juvenil a um instrumento de colaboração prática, o IC PUC-Rio desempenha um papel único e fundamental nas relações de amizade entre China e Brasil.
Como nova Diretora Chinesa, levarei adiante meu compromisso e minha dedicação a essa causa, trabalhando em conjunto com o Professor Leonardo Bérenger, Diretor Brasileiro de nosso IC, promovendo continuamente o desenvolvimento de alta qualidade do Instituto Confucius no contexto de intercâmbios e integração intercultural.



