Usina híbrida da PUC-Rio inaugura nova fronteira em pesquisa energética no país
4 de maio de 2026 as 06:30
Professor Eloi Fernández: a Usina fortalece a relação da PUC-Rio com o setor energético (Foto: Vinícius Verta / Branding PUC-Rio)
Instalada em Xerém, plataforma inédita integra múltiplas fontes e impulsiona soluções para descarbonização, inovação e formação de profissionais
A PUC-Rio deu um passo estratégico na área de energia com a inauguração da Usina Híbrida Piloto (UHP), no campus de Xerém. Inédita no Brasil, a iniciativa reúne, em escala real, diferentes fontes de geração – solar, térmica e rotas de baixo carbono – aliadas a tecnologias de armazenamento e sistemas avançados de controle. Mais do que uma infraestrutura experimental, a usina nasce como uma plataforma de pesquisa, desenvolvimento e inovação capaz de simular condições reais de operação e validar soluções voltadas à segurança energética, eficiência e descarbonização.
Inserida no contexto da transição energética, a UHP amplia a atuação da Universidade na interface com a indústria e fortalece a formação de profissionais qualificados. O PUC URGENTE conversou com o professor Eloi Fernández y Fernández, diretor do Instituto de Energia da PUC-Rio (IEPUC), responsável pela execução do projeto com apoio da Petrogal Brasil, por meio da ANP, sobre os diferenciais do projeto, seus impactos acadêmicos e na sociedade, além das perspectivas de expansão nos próximos anos.
A Usina Híbrida Piloto inaugurada no campus de Xerém é apresentada como uma iniciativa inédita no Brasil. Quais são os principais diferenciais tecnológicos e operacionais dessa usina em relação a outros projetos de geração de energia no país?
A Usina Híbrida Piloto se diferencia por integrar, em escala real, múltiplas fontes de geração e tecnologias de armazenamento em um único ambiente experimental. A planta combina geração solar, motogeradores a gás e diesel/biodiesel, baterias e um módulo de hidrogênio verde, além de um sistema supervisório avançado para controle e monitoramento. Outro diferencial é a capacidade de emular perfis reais de consumo – como indústria e data centers – permitindo testar soluções sob condições próximas da operação prática. Essa integração ampla e flexível, voltada à validação tecnológica e redução de emissões, ainda é pouco explorada no país.
Como o senhor avalia o papel da usina enquanto plataforma de pesquisa aplicada dentro da PUC-Rio, especialmente na formação de alunos e no desenvolvimento de soluções para os desafios da transição energética?
A Usina atua como uma plataforma estratégica de pesquisa aplicada, conectando teoria e prática. Permite que alunos de graduação e pós-graduação participem de projetos com dados reais, desenvolvendo soluções para desafios como descarbonização, confiabilidade e eficiência energética. Ao integrar pesquisadores, técnicos e bolsistas em projetos com demandas concretas da indústria, a iniciativa contribui diretamente para a formação de profissionais qualificados e preparados para atuar na transição energética.
A instalação da usina em Xerém marca uma expansão importante da atuação da Universidade. De que forma a Usina Híbrida Piloto pode contribuir para fortalecer a relação da PUC-Rio com empresas de energia no estado do Rio de Janeiro, especialmente no contexto de projetos de PD&I e das demandas por descarbonização e eficiência energética?
A Usina fortalece a relação da PUC-Rio com o setor energético ao oferecer uma infraestrutura capaz de validar tecnologias e soluções em condições reais de operação. Isso amplia oportunidades de parcerias em projetos de PD&I, especialmente em temas como descarbonização, segurança energética e eficiência. A usina já apoia prospecções com empresas e pode atender demandas de setores intensivos em energia, além de aplicações em sistemas isolados, como na região amazônica.
Qual a perspectiva para os próximos cinco a dez anos? Existe um plano de expandir a usina?
A tendência é a expansão gradual da usina nesse período, com incorporação de novas rotas tecnológicas e aumento de capacidade – especialmente em hidrogênio e combustíveis de baixo carbono. A expectativa é consolidá-la como referência nacional em PD&I em sistemas híbridos, ampliando parcerias com empresas e aprofundando seu papel na geração de conhecimento e inovação para a transição energética.



