Há 60 anos, Biblioteca da PUC-Rio transforma conhecimento em conexão
18 de maio de 2026 as 06:30
Sob a direção de Ana Ribeiro, Biblioteca celebra seis décadas acompanhando as transformações da Universidade e investindo em inovação e inclusão (Foto: Ana Beatriz Magalhães / Comunicar)
Com acervo reconhecido, projetos de acessibilidade e iniciativas em inteligência artificial, Biblioteca reafirma papel acadêmico e humano na Universidade
Desde 1966, a Divisão de Bibliotecas e Documentação da PUC-Rio (Biblioteca Central da PUC-Rio) vem acompanhando as transformações da Universidade e se consolidando como um dos principais espaços de produção de conhecimento, pesquisa e convivência acadêmica do campus. Entre a preservação de acervos históricos, os investimentos em acessibilidade e os avanços em tecnologia e inteligência artificial, a instituição chega aos 60 anos reafirmando seu compromisso com a inovação e o acolhimento da comunidade universitária e do público externo. Para celebrar a data, haverá uma cerimônia aberta à comunidade, no dia 20, às 14h30, no Auditório B8 do Direito, na Ala Frings. Em entrevista ao PUC Urgente, a diretora Ana Ribeiro fala sobre a trajetória da Biblioteca, os desafios das novas gerações e os caminhos projetados para o futuro.
Quais são os principais marcos da trajetória da Biblioteca da PUC-Rio e como a unidade vem acompanhando as transformações da Universidade ao longo do tempo?
Ao longo de seis décadas, a Biblioteca acompanhou a própria transformação da PUC-Rio. Entre os marcos, estão a automação dos serviços (sistema Pergamum), o acesso remoto às bases de dados, a ampliação dos recursos digitais, os investimentos em acessibilidade e, mais recentemente, os projetos com inteligência artificial. A Biblioteca cresceu com a Universidade, mantendo-se como suporte acadêmico, sendo inovadora na oferta de vários serviços ao longo dos anos e firmando-se como uma das referências para outras bibliotecas universitárias brasileiras.
Como a Biblioteca tem se reinventado diante das mudanças tecnológicas e dos novos hábitos de estudo e pesquisa dos alunos?
A Biblioteca vem se reinventando ao integrar tecnologia, autonomia e acolhimento. Há muitos anos, conta com uma equipe dedicada ao estudo, desenvolvimento e implementação de soluções tecnológicas aplicadas aos serviços informacionais e ao apoio à comunidade acadêmica. Entre os investimentos estão o acesso remoto, conteúdos eletrônicos, a Pesquisa Integrada (que reúne múltiplas fontes em uma única busca), o autoempréstimo e uma plataforma digital de ebooks. Mais recentemente, a equipe de automação passou a atuar também com análise de dados, ciência de dados e projetos de inteligência artificial. Em relação a espaços para estudo, para atender novas demandas, foram criadas três salas de estudo em grupo (2 a 5 pessoas) e uma sala individual com tratamento acústico.
A Biblioteca é reconhecida por seu acervo e pela importância acadêmica. Quais são as coleções ou projetos que você destacaria como símbolos dessa história?
Destaca-se a Coleção Didática, formada em 1983 para reunir bibliografias básicas e complementares da graduação em um mesmo local. Há também a coleção de obras raras e as coleções especiais, como a de Antônio Cícero (em uma parceria inédita com a secretaria de Cultura do Rio de Janeiro, para o tratamento das obras), Leandro Konder, Miguel Pereira, NIREMA e Shakespeariana. O projeto de digitalização de teses e dissertações retrospectivas, concluído em 2011, é um marco de preservação. São simbólicos ainda os projetos de acessibilidade, a assistente virtual BIA, que ganhou um Prêmio de Inovação concedido pela Elsevier, em 2018, os pilotos de inteligência artificial e a atuação da Biblioteca em redes internacionais, como AUSJAL e ODUCAL. São iniciativas que mostram uma Biblioteca conectada à memória, à inovação e ao futuro.
Além do papel acadêmico, a Biblioteca funciona como espaço de convivência e produção de conhecimento. Como você enxerga essa relação com a comunidade universitária?
É muito positiva, marcada pela convivência e diálogo. Diariamente, recebemos a comunidade acadêmica, assim como usuários externos, para estudar, pesquisar, produzir trabalhos, participar de treinamentos ou, simplesmente, para usufruir de um ambiente acolhedor dentro da Universidade, como relaxar nos lounges, ler jornais ou usar a Multimídia. A Biblioteca acompanha trajetórias acadêmicas, apoia desafios e acaba fazendo parte da memória afetiva de muitos de seus usuários, como um espaço onde conexões e laços de amizade se constroem ao longo do tempo. Existe uma dimensão humana muito forte nesse espaço.
A Biblioteca também recebe estudantes e pesquisadores de fora da Universidade. Como você avalia a importância desse papel de acolhimento ao público externo e a Biblioteca como espaço aberto de estudo e acesso ao conhecimento?
Receber pesquisadores e estudantes externos amplia o papel social da Biblioteca e fortalece a circulação do conhecimento. A Biblioteca da PUC-Rio é reconhecida não apenas pelo acervo, mas também pelo acolhimento e pela qualidade dos serviços oferecidos. Esse diálogo com públicos diversos aproxima instituições, estimula a pesquisa e reafirma a Universidade como espaço aberto à produção acadêmica, cultural e científica, contribuindo para além dos limites do próprio campus.
Pensando no futuro, quais são os próximos desafios e objetivos?
Os desafios envolvem ampliar ainda mais a acessibilidade, avançar nos projetos com inteligência artificial, fortalecer recursos digitais e acompanhar as mudanças no comportamento acadêmico e informacional das novas gerações. Também buscamos ampliar parcerias nacionais e internacionais, fortalecer ações de inovação e manter a Biblioteca como referência em acolhimento, tecnologia e suporte à pesquisa. O objetivo é continuar evoluindo sem perder aquilo que sempre marcou a Biblioteca: o cuidado com as pessoas.



