Entrevista

Novo presidente para a Associação Mantenedora da PUC-Rio

Por: Gabriel Meirelles

Novo presidente para a Associação Mantenedora da PUC-Rio

A Faculdades Católicas – Associação Mantenedora da PUC-Rio tem um novo presidente: padre Luís Corrêa Lima S.J. Há vinte anos na Universidade, o sacerdote é professor do Departamento de Teologia e doutor em História pela Universidade de Brasília. Ele destaca a boa administração das finanças por parte da direção da PUC-Rio. Segundo o jesuíta, mesmo com a pandemia da Covid-19, e as dificuldades econômicas de muitas famílias, o número de estudantes da instituição não diminuiu. Padre Luís Corrêa Lima enaltece a figura de padre Pedro Magalhães Guimarães Ferreira, que esteve à frente da Mantenedora nos últimos 17 anos, e revela que sucedê-lo no cargo aumenta ainda mais seu amor pela PUC-Rio.

Qual é o papel da Mantenedora da PUC-Rio?
Padre Luís Corrêa:
A Faculdades Católicas – Associação Mantenedora da PUC-Rio tem por objetivo estatutário fundar, manter e administrar instituições de educação e estabelecimentos de Ensino Superior integrantes da PUC-Rio ou que venham a integrá-la. A Mantenedora aprova o Relatório de Gestão, o Balanço e as Contas anuais. Basicamente, supervisiona a Universidade em nome das instituições que a criaram. É interessante lembrar que o nome Faculdades Católicas aparece no contracheque de todos os professores e funcionários da PUC-Rio. É a associação civil surgida em 1940 como Mantenedora das Faculdades de Direito e de Filosofia, núcleo de ensino superior que depois se tornou Universidade Católica e, em seguida, Pontifícia. O nome da Mantenedora é anterior ao nome PUC e permanece.

Qual é a composição dos membros da Mantenedora?
Padre Luís Corrêa:
Há um Conselho Diretor formado por dois representantes da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, dois representantes da Companhia de Jesus (eu sou um deles), e um representante da Nunciatura Apostólica. Há também um grupo de Membros Associados, atualmente formado por quatro professores, entre veteranos e eméritos, e um Conselho Fiscal com quatro membros. A composição do Conselho Diretor está relacionada às instituições que dão origem à PUC-Rio e permanecem ligadas à sua direção. Nesta origem, estão o cardeal Sebastião Leme, Arcebispo do Rio de Janeiro, e o padre Leonel Franca, jesuíta e primeiro reitor.

Como a pandemia e as restrições impostas para o combate ao coronavírus podem influenciar o planejamento e as ações da Mantenedora?
Padre Luís Corrêa:
Felizmente, a PUC-Rio soube se reinventar neste tempo de pandemia. Com a criatividade e a competência do seu corpo docente, técnico e administrativo, as atividades acadêmicas migraram para o modo remoto: aulas de graduação, pós-graduação e extensão, vestibular e bancas de ingresso, qualificação e conclusão de mestrado e doutorado. Apesar das dificuldades econômicas de muitas famílias, o número de alunos se mantém. Os cursos de extensão tiveram aumento, com muitos alunos de outros estados, que dificilmente cursariam sem o modelo remoto. O mesmo acontece com minha turma de alunos de pós-graduação em Teologia, em que a maioria mora longe ou muito longe da nossa cidade. De qualquer maneira, toda esta situação está sendo bem administrada pela direção da Universidade. A Mantenedora tem se limitado a aprovar contas e orçamentos.

Qual é o peso de substituir padre Pedro Magalhães Guimarães Ferreira como presidente da Mantenedora PUC-Rio, cargo em que ele ocupou por há 17 anos?
Padre Luís Corrêa:
A figura do padre Pedro representa um grande amor à PUC-Rio, em várias décadas de pertença à Universidade. Ele foi aluno de graduação em Engenharia Elétrica, e seguiu nesta área fazendo uma brilhante carreira docente. É um sacerdote zeloso e foi o principal protagonista na criação da Igreja da PUC. Sucedê-lo na presidência da Mantenedora me faz cultivar o amor à nossa Universidade, que faz parte de uma longa tradição. Na origem da universidade como instituição estão as escolas das catedrais na Idade Média. Eram centros de encontro, criação e irradiação de saberes, permeados pela fé cristã. No século XVI, Santo Inácio de Loyola fundou a Companhia de Jesus a partir de um núcleo de estudantes da Universidade de Paris. Em nosso tempo, as universidades católicas são centros inspirados no humanismo cristão que se dedicam ao ensino, à pesquisa e à extensão.

A PUC-Rio comemorou 80 anos de fundação. Nestas oito décadas de existência, como a Universidade demonstra ser um centro de excelência?
Padre Luís Corrêa:
Eu pertenço à PUC-Rio há vinte anos, onde tenho a felicidade de conciliar ministério sacerdotal e vida universitária. Aqui fiz mestrado em História e hoje leciono no Departamento de Teologia. Formamos leigos católicos, estudantes de congregações religiosas, seminaristas e um considerável número de protestantes. Muito se faz na Universidade. A pesquisa e a docência nos absorvem bastante em uma área, e nem sempre nos damos conta de tanta coisa boa realizada em muitas outras áreas. Na história da PUC, destaco alguns exemplos: o Plano Real, feito por uma equipe do Departamento de Economia; a figura de Lélia Gonzalez, importante intelectual negra, que lecionou e chegou a dirigir o Departamento de Ciências Sociais; e os programas de ação afirmativa, pioneiros na inclusão universitária de negros e pobres. Oriunda destes programas é Marielle Franco, ícone da defesa dos direitos humanos.

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