Entrevista

PUC-Rio dá boas-vindas a 1ª ExpoLivro

PUC-Rio dá boas-vindas a 1ª ExpoLivro

Para o editor e professor Felipe Gomberg, o livro ainda é “um meio entre os mais concorridos para a divulgação da ciência” (Foto: Caio Matheus)

A Editora PUC-Rio promove a 1ª ExpoLivro, entre os dias 20 e 23 de maio, no Espaço Francisco, Casa de Inovação. O evento literário, que ocorrerá anualmente, inclui debates, atividades gratuitas e lançamentos. Paralelamente, de 21 a 24 de maio, a Editora PUC-Rio será anfitriã da Reunião Anual da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU), que apresentará como tema “O livro universitário e a divulgação científica: tecnologia e inovação”. Para saber mais, o PUC Urgente conversou com o diretor editorial da Editora PUC-Rio, o professor Felipe Gomberg.

Como surgiu a ideia da ExpoLivro?
Felipe Gomberg:
A ExpoLivro surge a partir da confirmação da Editora PUC-Rio como anfitriã e a PUC-Rio como sede do encontro anual das editoras universitárias brasileiras. Percebemos a oportunidade de lançar um encontro literário próprio da PUC num contexto muito favorável: de um lado, a presença dos editores universitários brasileiros no campus; de outro, o fato de que, em 2025, o Rio será a capital mundial do livro pela Unesco.

O Grupo Editorial Record, Ubu, Vozes, Loyola e PUC+, que farão parte da ExpoLivro, vão apresentar cases editoriais. Um dos debates envolve a questão da ética na inteligência artificial. A IA já é uma realidade no mercado editorial?
Felipe Gomberg:
Como em todas as áreas, sim, o mercado editorial já conta com ferramentas de IA que aceleram as rotinas produtivas da cadeia do livro como um todo. Entretanto, a grande questão está na dimensão ética: como desenvolver trabalhos de alta qualidade que não descaracterizem o que singularizou a produção editorial até aqui, como o respeito e a valorização da autoria.

Digital ou físico, o livro ainda é o principal meio para a divulgação científica?
Felipe Gomberg:
Sim, o livro é ainda um meio entre os mais concorridos para a divulgação da ciência. O paper científico cumpre o papel de comunicar os caminhos da pesquisa, apresentar as novidades, e o livro aprofunda a discussão. Seja como meio físico ou digital, não existe curso universitário sem bibliografia ancorada em bons livros produzidos por autores respeitados e editoras sérias.

Durante a reunião anual das editoras universitárias, serão debatidos temas atuais como audiolivros e podcasts, assim como ações de divulgação e formação de novos profissionais de edição. O que há de novidade nessas áreas?
Felipe Gomberg:
As discussões deste ano na reunião da ABEU, sediada aqui na PUC, apontarão para os impactos e a introdução da tecnologia nos fazeres de uma obra, assim como os desafios para divulgar ciência a partir da mídia livro, tanto no suporte impresso quanto no digital. Então, sempre se busca no seminário da ABEU trazer temas caros ao mercado editorial como um todo, para ser repercutido sob a perspectiva do editor universitário. Estamos motivados para o debate aqui na PUC.

A conferência de encerramento será com o historiador francês Roger Chartier. Que contribuições ele tem dado para as discussões sobre como o mundo digital está rompendo com as práticas de leitura e o mercado de livros?
Felipe Gomberg:
Primeiro, para todos nós que estudamos o livro como meio de comunicação, Roger Chartier é uma das maiores referências. É reconhecido pelos seus trabalhos sobre a história do livro, da edição e da leitura. Ele estará conosco não apenas na conferência de encerramento, mas em vários momentos durante a semana. Esperamos poder levantar muitas dessas questões para ele.