Instituto PUC-Behring desenvolve linha de pesquisa sobre o uso da IA na saúde
Por: Por Rafael Amorim e Miguel Patriota*
16 de março de 2026 as 06:30
Luís Rodrigues, do Instituto PUC-Behring de IA: ideias e buscas de parceiros para avançar com projetos (Foto: Ana Beatriz Magalhães / Comunicar)
Para o professor Luís Rodrigues, a Inteligência Artificial vai tornar a medicina preventiva ainda mais personalizada
A Inteligência Artificial transformou profundamente todos os setores da sociedade, exigindo dos profissionais mudanças jamais vistas. Na área da saúde, a tecnologia possibilita atendimentos e diagnósticos mais rápidos para melhorar a experiência dos pacientes, sobretudo de forma individualizada. A IA também tem papel fundamental na busca por inovações dentro do campo da medicina preventiva. A necessidade de descobertas é tema central para o professor e pesquisador do Instituto PUC-Behring de Inteligência Artificial Luís Rodrigues. Em entrevista ao PUC Urgente, Rodrigues explica como a IA potencializa a medicina preventiva, reflete sobre ética no setor e destaca o aspecto social para a saúde individual:
“O que vem pela frente são muitos experimentos de usuários isolados que cuidam da própria saúde, mas é preciso tomar cuidado pois tem um elemento da saúde que é social. A socialização também pode acelerar a recuperação e melhorar a saúde individual”.
Que estudos a PUC-Rio vem realizando sobre o uso da Inteligência Artificial na medicina preventiva?
Luís Rodrigues: O Instituto PUC-Behring está desenvolvendo uma linha de pesquisa sobre a aplicação da IA na saúde. Há uma oportunidade muito clara dentro da área médica de tornar os processos mais eficientes. Penso que precisamos fazer aplicações para melhorar a triagem dos hospitais, organizar filas de atendimento, facilitar a logística de pacientes e agilizar o preenchimento de documentos. Tudo isto pode ser feito com inteligência de dados, a partir de sistemas revistos por uma nova tecnologia. A área da saúde é certamente uma das mais promissoras. Estamos na fase das ideias e buscando parcerias com instituições para desenvolver estes projetos.
A revolução tecnológica protagonizada pela Inteligência Artificial alcança todos os setores da sociedade. Quais são os impactos da IA na área da saúde e, mais especificamente, na medicina preventiva?
Luís Rodrigues: Há um crescimento de agentes pessoais em todos os modelos de linguagem, como ChatGPT, Perplexity e Claude. Por exemplo, os usuários mais avançados desses modelos, geralmente, têm um assistente para montar treino, plano de alimentação e cronogramas individuais. Em 15 minutos, eu monto um super especialista em alimentação para qualquer tipo de dieta. Isto já está na mão da maioria dos usuários.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a Inteligência Artificial tem grande potencial para melhorar a prestação de serviços de saúde em todo o mundo, mas precisa respeitar os direitos humanos. Como assegurar que a utilização da IA na medicina venha acompanhada de princípios éticos humanos?
Luís Rodrigues: O debate sobre a ética sempre precisa acontecer. A ética é a reflexão a partir do ponto de vista de um indivíduo sobre os costumes e os códigos morais implícitos. Como instituto que entrega tecnologia para os clientes, a gente alerta que as empresas não priorizem o lucro sobre a ética. Se você não manda o agente fazer essa reflexão, o sistema sozinho não faz. Tem sempre uma pessoa que, em algum momento no passado, tomou uma decisão e delegou uma autonomia para uma entidade automática. A Inteligência Artificial funciona a partir de probabilidades e, se usada com princípios éticos humanos, pode ser uma grande aliada da saúde por descobrir fatores de risco de potenciais doenças que consequentemente ajudam na prevenção.
O que esperar do futuro da IA na medicina preventiva?
Luís Rodrigues: Imagino que a Inteligência Artificial vai tornar a medicina preventiva ainda mais personalizada. A tendência é ter uma realidade cada vez menos compartilhada, e a saúde ser absolutamente pessoal. A minha impressão é que toda a prevenção será personalizada. O que vem pela frente são muitos experimentos de usuários isolados que cuidam da própria saúde, mas é preciso tomar cuidado pois tem um elemento da saúde que é social. A socialização também pode acelerar a recuperação e melhorar a saúde individual. Existe uma grande preocupação com a saúde individual e como potencializá-la por meio do algoritmo. Mas não podemos deixar de lado a importância da convivência e como isso afeta a nossa saúde quando é inexistente.
*Sob supervisão das editoras



